Dúvidas Frequentes

 

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Defensivos agrícolas são substâncias utilizadas na proteção das plantações. As lavouras são naturalmente atacadas por doenças, insetos nocivos, plantas invasoras e ácaros. Esses seres vivos disputam com o ser humano o mesmo alimento, ou seja, as culturas vegetais. Conforme definido na Lei 7.802/1989, “são produtos e agentes de processos químicos ou biológicos destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos”. Os defensivos químicos são desenvolvidos de acordo com sua finalidade no controle das diferentes pragas: inseticidas, fungicidas, herbicidas, acaricidas, formicidas, nematicidas e moluscicidas. 

O desenvolvimento dos produtos, até serem colocados no mercado, exige vários anos de pesquisa, realizada por cientistas, especialistas e técnicos de diversas áreas do conhecimento. Entre elas, cite-se Agronomia, Química, Fitopatologia, Entomologia, Ciência das Plantas Daninhas, Virologia, Toxicologia e Biologia. Para que uma única nova molécula se transforme no produto – herbicida, fungicida, inseticida ou acaricida – que protegerá a lavoura, os cientistas pesquisam nos laboratórios e desenvolvem em estações experimentais e no campo, durante cerca de 10 anos, um volume de cerca de 400 mil moléculas.

O primeiro passo é identificar novos ingredientes ativos, entre milhares de novas moléculas, por meio de milhões de testes realizados em laboratórios. Na segunda etapa, conhecido como screening, as moléculas que demonstraram atividade são testadas, tanto em laboratórios como na prática em campo, inoculando a praga ou o patógeno na planta. Na fase de seleção, as moléculas promissoras são testadas intensivamente nas estações experimentais das empresas. Equipamentos especiais permitem simular diferentes condições climáticas, para testes de eficácia, tolerância e informações toxicológicas. Na quarta etapa, de desenvolvimento do perfil biológico do produto, ocorrem intensivos testes de campo que, feitos em larga escala, garantirão o registro para sua comercialização. O processo de registro do produto é a última etapa antes da comercialização. Nesta fase, todos os detalhamentos dos estudos, realizados durante anos em laboratórios, são apresentados às autoridades registrantes do governo federal.

A classificação toxicológica é realizada por meio de análises de toxicologia aguda, isto é, no contato com o produto técnico ou da formulação. De acordo com os resultados dos testes, os produtos são classificados em uma de quatro categorias, chamadas classes toxicológicas: Classe I: extremamente tóxico; Classe II, altamente tóxico; Classe III, moderadamente tóxico; Classe IV, produto tóxico. “É importante ressaltar que a classificação toxicológica diz respeito apenas a quem manuseia o produto; portanto, esta nada tem a ver com exposição em longo prazo e nem com a segurança do meio ambiente”, notam Gottfried Stützer e Guilherme Guimarães, coautores, entre outros especialistas, do livro O que os Engenheiros Agrônomos devem saber para orientar o uso de produtos fitossanitários (Andef, 3ª. Ed., 2008). Do ponto de vista ambiental, são realizados testes que também resultam na classificação do produto, pelo Ministério do Meio Ambiente, através do Ibama, em quatro faixas: Classe I: produto altamente perigoso; Classe II, produto muito perigoso; Classe III, produto perigoso; Classe IV, produto pouco perigoso.

 

REGULAMENTAÇÃO

A avaliação e concessão do registro de defensivos são de responsabilidade de três órgãos federais: Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, MAPA; Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, IBAMA, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente; e Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA, do Ministério da Saúde. Antes de serem levados para a análise desses três órgãos, há o trabalho de centenas de especialistas em regulamentação e registro, pertencentes aos quadros das indústrias.

Testes para segurança e eficácia são realizados pelas empresas associadas à ANDEF, dentro de padrões internacionalmente aceitos. Todos os detalhamentos referentes aos estudos, realizados durante anos em laboratórios e estações experimentais, são apresentados às autoridades registrantes do governo federal. Primeiramente, é pleiteada, mediante o Registro Especial Temporário - RET, a autorização para a realização de ensaios experimentais. Para a obtenção do registro definitivo, os estudos precisam ser avaliados por auditorias independentes e, finalmente, validados pelos órgãos governamentais para obtenção do registro, o que permitirá às empresas iniciarem a produção e a comercialização. No Brasil, o tempo de espera para que os órgãos registrem um novo produto tem sido, em muitos casos, de cerca de 10 anos, entre a descoberta da molécula até a obtenção do registro. A maior parte desse tempo destina-se a cumprir requisitos regulatórios.

Dependendo das condições agronômicas locais, cada país adota diretrizes próprias sobre registro de produtos. Diferentes climas e tipos de culturas requerem diferentes manejos fitossanitários. Desta forma, por exemplo, fungicidas são mais utilizados no norte da Europa na cultura de cereais, sob clima úmido e relativamente frio. Já inseticidas são mais requisitados em climas quentes onde existe maior diversidade de insetos e pragas, como no Brasil.

 

MERCADO

No Brasil, o setor é liderado pelas empresas associadas à Andef, Associação Nacional de Defesa Vegetal. São as companhias que pesquisam, desenvolvem, industrializam e comercializam defensivos no País. Nos laboratórios dessas indústrias são desenvolvidos os produtos fitossanitários que agregam marca expressiva na competitividade exibida pelo agronegócio do País. O setor emprega perto de 9.500 trabalhadores, sendo centenas deles empenhados na pesquisa nos laboratórios e estações experimentais.

Não. Embora o controle de pragas na agricultura tropical requeira muito maior uso de defensivos agrícolas, o consumo no Brasil é muito menor que o observado em outros países. As vendas de 2009 no setor de defensivos agrícolas, incluindo os produtos genéricos, totalizaram o volume de 725,6 mil toneladas, com uma comercialização total de US$ 6,62 bilhões. Entre os grandes países agrícolas, o Brasil apresenta um dos menores investimentos por tonelada produzida e por área plantada. Segundo um estudo da Kleffmann Group, em 2007, no Brasil o consumo por unidade de área foi de US$ 88/ha e, por produção, US$ 7,4/t. No Japão, respectivamente, foi de US$ 851/ha e US$ 73/t; na França, US$ 197/ha e US$ 22/t. Em 2008, o Brasil empregou 673 mil toneladas de defensivos para a proteção das lavouras. Em 2007, o aumento no Brasil foi de apenas 1%, muito inferior ao de países como Argentina (49%), China (25%) e França (28%). Houve queda apenas no Japão e nos EUA, país que cultiva em larga escala variedades transgênicas – cerca de 90% em soja e milho –, que exigem menor manejo com defensivos agrícolas. De qualquer forma, o fato de os agricultores brasileiros se colocarem entre aqueles que confiam nesta tecnologia como fator vital de produtividade indica que o país começa a se preparar tecnologicamente para liderar a agricultura mundial dentro de duas décadas, conforme prevê a FAO.

A agricultura de clima tropical e subtropical, como no Brasil, enfrenta uma série de adversidades que não ocorrem nos países de climas temperados, como na Europa e nos Estados Unidos, cujas características favorecem menor incidência de pragas e doenças, e com muito menor severidade. Por exemplo, na cultura da cana-de-açúcar, os cupins podem causar danos de até 10 toneladas por hectare no ano, o que representa cerca de 60 toneladas por hectare durante o ciclo completo da cultura. No algodão, resultados experimentais demonstram que a manifestação da VMN pode reduzir a produção em até 60%. Na soja, o Brasil é um dos países onde a ferrugem asiática causa mais impactos no sistema produtivo; a doença causa danos primeiro nas folhagens e, em seguida, nas vagens, podendo diminuir em até 80% a produtividade de uma lavoura. No milho, a lagarta do cartucho representa um potencial de dano (perda) de 37% na planta atacada, e de até 60% de perda na produção de grãos de uma lavoura. Devido à sua grande ocorrência e alta taxa de infestação, variando de 25% a 100%, é considerada a principal praga alvo na cultura do milho no Brasil.

 

SAÚDE

Sim. Os especialistas desconhecem evidências científicas de que, quando usados apropriadamente, os defensivos agrícolas causem efeito negativo à saúde, tanto dos agricultores quanto dos consumidores. As quantidades residuais em alimentos são insignificantes; tanto que são analisadas em PPM, isto é, Partes Por Milhão. Portanto, são centenas de vezes menores do que as quantidades de outras substâncias, químicas e orgânicas, não testadas e que são consumidas regularmente pelas pessoas. Todo alimento deve ser consumido com segurança. Por exemplo, a vitamina D, a qual basta pequenas quantidades para uma dieta saudável, pode ser fatal em doses altas. Os traços de resíduos que possam ser detectados em alimentos são absolutamente reduzidos e têm a garantia da Ciência de que, usados nas proporções previstas, não oferecem qualquer risco aos consumidores.

Quando se desenvolve um defensivo, é calculada uma Ingestão Diária Aceitável, IDA. Esta se baseia na quantidade de resíduo que não causa efeito nas espécies animais em testes de laboratório. E ainda sobre esse indicador de segurança se adicionam dois fatores. Um Fator 10, isto é, multiplica-se por 10 o índice encontrado no teste do laboratório e a prevenção para qualquer risco ao ser humano. Um segundo Fator 10 é aplicado, multiplicando mais de dez vezes o índice anterior, na hipótese de que certas pessoas sejam mais sensíveis do que outras. Daí encontra-se o Limite Máximo de Resíduos, LMR. Este, portanto, é um índice 100 vezes inferior e mais seguro do que a própria IDA, limite que, hipoteticamente, poderia causar algum problema na saúde. O Fator 100, obtido no Limite Máximo de Resíduos determinado pela regulamentação no Brasil, é semelhante nos Estados Unidos e na Europa.

 

ALIMENTOS SAUDÁVEIS

Não. Esta foi a conclusão de um recente estudo, conduzido pela Agência de Alimentos do governo da Inglaterra. O trabalho, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, representa a maior revisão de estudos já feita sobre o tema, com 162 artigos científicos publicados nos últimos 50 anos. De acordo com os pesquisadores, os alimentos chamados orgânicos – aqueles que utilizam fertilizantes e defensivos agrícolas não-derivados de ingredientes químicos – não têm benefícios nutricionais superiores aos dos alimentos cultivados com adubos e defensivos sintéticos.

Todos os produtos naturais podem variar sua composição nutricional. Diferentes sementes, da mesma cultura, podem apresentar composições diversificadas. Ainda depende de outros fatores: regime de uso de fertilizantes e defensivos agrícolas, estação do ano, idade e raça de um animal; estocagem, transporte e preparo do alimento pelo consumidor. A comunidade científica deve aprofundar as evidências sobre a nutrição potencial, os riscos e benefícios associados ao consumo de alimentos orgânicos, de modo que os consumidores façam escolhas melhor informados.

 

SUSTENTABILIDADE

A tecnologia gera impacto direto na renda da atividade agrícola. É o que afirma Gerald Stephenson, professor da Escola de Ciências Ambientais da Universidade de Guelph, no Canadá. No final da década de 1990, nos Estados Unidos, os agricultores obtinham um retorno de 4 dólares a cada 1 dólar gasto com defensivos agrícolas.

Os defensivos têm sido importantes para a melhor qualidade de vida dos agricultores. O uso da tecnologia poupa tempo de tarefas e, sobretudo, o enorme esforço físico dos agricultores e trabalhadores rurais. No caso dos defensivos, o uso de herbicida dispensa a fatigante capina manual. Isso lhes permite dedicarem mais tempo à sua formação técnica, ao gerenciamento da atividade e ao próprio descanso e lazer, com reflexos positivos na sua saúde.

O benefício econômico do uso desses produtos não favorece apenas os agricultores; seus impactos positivos são muito importantes nas grandes cidades. Segundo o professor canadense Gerald Stephenson, para cada 1 dólar que os produtores gastam em defensivos, retornam 2 dólares para a sociedade em geral. Outro benefício da tecnologia é melhorar a produtividade, o que amplia a oferta de alimentos. No Brasil, hoje, com o investimento ainda insuficiente de tecnologias, um agricultor produz, em média,

para cinco pessoas; em todo o mundo, em média, o uso é ainda menor: um agricultor produz para duas pessoas. Como rege a lei da Economia, a maior oferta de produtos implica a redução dos preços que, por sua vez, é um importante mecanismo de estabilidade econômica. A ciência incorporada aos agroquímicos também contribui para preservar a saúde pública nos centros urbanos, onde controlam pragas e doenças que causam graves danos, como malária e dengue.

Toda atividade humana, como a agricultura, causa algum impacto no ambiente. Os defensivos agrícolas são rigorosamente testados – pelas indústrias e pelos órgãos registrantes do governo federal – para a avaliação do seu potencial de impacto ao meio ambiente. Por isso, as indústrias associadas à Andef asseguram que seus produtos não produzem alterações ambientais quando utilizados apropriadamente. Além disso, os diversos aspectos de gerenciamento e manejo da lavoura contribuem para o controle no nível mínimo de possíveis impactos. Também precauções simples dos agricultores e aplicadores de defensivos colaboram com a adoção das boas práticas agrícolas e evitam problemas ambientais localizados. Outro trabalho exemplar realizado pela indústria de defensivos é relacionado à destinação de embalagens vazias destes produtos, em que o Brasil é, atualmente, uma referência mundial. Liderado pela ANDEF até 2002, a atividade é hoje realizada pelo InpEV, Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias.