Agronegócio em alerta para a Copa do Mundo

 

Países classificados para o Mundial abrigam mais de 350 pragas inexistentes no Brasil. Estados produtores de alimentos, como Paraná e Mato Grosso, receberão milhares de torcedores nas próximas semanas


A Copa do Mundo se tornou uma dor de cabeça para os produtores rurais brasileiros. Um levantamento encomendado pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), mostra que os 31 países classificados para a Copa do Mundo abrigam, juntos, mais de 350 pragas ainda inexistentes no Brasil. São insetos, ácaros, fungos e vírus que, se introduzidos em nossas lavouras, certamente trarão prejuízos aos agricultores locais e podem até impactar a produção nacional de alimentos.

 

Regina Sugayama, diretora da consultoria Agropec e autora do estudo, diz que o aumento do trânsito de pessoas entre países nos últimos anos tem ajudado a disseminar as pragas pelo mundo. Entre 1901 e 2014, 68 espécies de pragas exóticas foram detectadas no Brasil - 20 delas somente nos últimos dez anos. "Às vésperas de grandes eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada é preciso reforçar a atenção em nossas fronteiras e aeroportos", afirma a pesquisadora.

 

De acordo com a Fifa, organizadora do evento, mais de 1,5 milhão de ingressos para a Copa do Mundo já foram vendidos ‒ 43% do total para torcedores de outros países. Serão centenas de milhares de turistas viajando pelo Brasil, o que aumenta consideravelmente a possibilidade de entrada de invasores. Apenas como referência, no período da Olimpíada de Pequim, em 2008, foram introduzidas 44 novas pragas na China.Dois anos depois, após os Jogos Asiáticos de Guangdong, foram identificadas mais 32 espécies invasoras.

 

"É preciso ter um plano efetivo de combate e prevenção antes e durante a Copa do Mundo, pois uma vez que a praga entra, por não ter inimigos naturais nem produtos registrados para o combate, seu controle é muito complicado", afirma Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). "Ninguém imaginava que a Helicoverpa armigera poderia chegar ao Brasil. Pois ela chegou e em um ano já causou um prejuízo bilionário. Precisamos barrar a entrada de novas Helicoverpas", diz o executivo.

Os Estados Unidos, com 225 pragas quarentenárias para o Brasil, lideram o ranking das "nações mais perigosas" para o agro brasileiro (Tabela 2). Para agravar a situação, os americanos são também os que mais compraram ingressos para os jogos da Copa: cerca de 187 mil entradas. Os turistas vindos da França, Itália, Austrália e Alemanha também preocupam.

 

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Denise Oliveira
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