Defensivos agrícolas: ferramentas para um alimento seguro

Quebrar a barreira da desinformação é imprescindível.


*Tom Prado

O uso de defensivos na produção agrícola é um tema que gera muitas opiniões pela quantidade de informações divulgadas fora de contexto ou sem base e comprovação científica. Mas o fato é que todos os estudos realizados até o momento demonstram que o nível de resíduos de defensivos agrícolas encontrados nos alimentos no Brasil não causam problemas à saúde da população e que o ruim é, na realidade, deixar de consumi-los. A ciência já comprovou e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimula o consumo de alimentos naturais justamente por diminuir a incidência de doenças, inclusive o câncer.

O Limite Máximo de Resíduos (LMR), que muitas vezes é divulgado como se oferecesse riscos à saúde, é uma medida agronômica que permite identificar se o produto aplicado em determinada cultura foi realizado dentro das Boas Práticas Agrícolas. O que a população e os agentes regulatórios deveriam avaliar é a IDA (Ingestão Diária Aceitável), um índice estabelecido no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no momento de autorização de uso de um produto. A IDA é calculada com base em dados científicos e fatores de segurança para evitar que ocorram intoxicações nos consumidores.

Um exemplo prático desses números pode ser conferido por meio da calculadora disponível no portal Safe Fruits and Veggies, que calcula a quantidade de alimentos que as pessoas podem consumir diariamente sem ultrapassar a IDA. Para ilustrar, mesmo que alguém coma 850 unidades de maçã por dia, ainda assim a IDA para maça não é ultrapassada. O conceito de IDA vale não somente para os fitossanitários, mas também para todos os insumos utilizados na alimentação humana, incluindo adoçantes, conservantes utilizados na indústria de processamento entre outros.

No último relatório sobre resíduos divulgados pela ANVISA, em 2016, foi demonstrado que 99% dos alimentos consumidos no Brasil, mesmo com a casca, não representam risco agudo à saúde. Já o restante é consumido sem casca, comprovando a inocuidade das frutas e hortaliças que alimentam os brasileiros. Os dados foram apresentados no Relatório do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), que avaliou mais de 12 mil amostras de alimentos, entre os anos de 2013 e 2015 e podem ser conferidos direto no site da ANVISA.

Esclarecer todas as dúvidas sobre a segurança das frutas e hortaliças disponíveis no Brasil é quebrar a barreira da desinformação e reforçar a importância de consumir esses alimentos diariamente. O seu organismo agradece.

*Tom Prado
Coordenador do Grupo Técnico de Fitossanidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).