“Vivemos a revolução verde 2.0”, diz representante da FAO em Fórum

Representantes de diversos setores da sociedade agrícola debateram no 1º Fórum Inovação para a Sustentabilidade na Defesa Vegetal a urgência em mudar cultura da inovação no país.


São Paulo, Junho de 2017 - Alan Bojanic, representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, afirmou que vivemos em uma Revolução Verde 2.0 ao comparar com a primeira revolução, que aconteceu há 70 anos e levou uma série de inovações ao campo para aumentar a produção agrícola. Entre as principais mudanças, a substituição da mão-de-obra humana pela mecanizada, o advento de sementes geneticamente modificadas e o uso de adubos químicos e defensivos agrícolas para pragas “A mudança de pensamento da sociedade não é uma missão de um setor: é de todos”, disse Bojanic. “Esse trabalho de mudança de percepção da sociedade é um trabalho muito mais difícil de ser construído do que se imagina.”

A Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF)  reuniu intelectuais, políticos e produtores no 1º Fórum Inovação para a Sustentabilidade na Defesa Vegetal, realizado na manhã desta quarta-feira (21), em São Paulo. O evento foi idealizado para discutir como a inovação pode contribuir de forma sustentável num cenário de pragas mais agressivas e limiares cada vez mais estreitos para perdas de produtividade na agricultura tropical.

Segundo Bojanic, a missão de alimentar 9 bilhões de pessoas no mundo em 2050 foi atualizado para 11 bilhões. “Somente no Brasil serão 300 milhões de brasileiros até 2050, um terço a mais do que o previsto”. Para evitar uma crise alimentar em escala mundial,  é necessário aumentar a produção. A única maneira de fazer isso é usando a criatividade no campo.

“Nós somos protagonistas”, disse Eduardo Leduc, Presidente do Conselho Diretor da Andef. “Quem vai escrever essa agenda somos nós. Falta alguém realmente colocar isso na mesa.”

Grande produtor de alimentos, o sucesso da agricultura é fundamental para o Brasil. Em 2016, ano magro para a economia nacional, o PIB do agronegócio cresceu 4,48% em relação a 2015. Nesse mercado, ainda em expansão, o grande desafio é produzir mais de maneira sustentável.

Jorge Caetano Júnior (MAPA), Rodrigo Justus de Brito (Assessor Técnico Sênior da CNA) e Edivaldo Domingues Velini (Professor da Unesp de Botucatu) estiveram presentes no evento desta manhã.

O debate entre representantes do MAPA e CNA foi mediado pelo jornalista William Waack. De acordo com Leduc, o campo vive em evolução constante, juntamente com o processo evolutivo dos insumos de produção e pesquisas agronômicas, os quais tiveram um papel fundamental para o avanço da agricultura brasileira.

Além disso, o fórum também apresentou casos de como a adoção de tecnologias impactou a vida dos agricultores Alexandre Seitz, do Paraná, e de José Eduardo Soares Júnior, do Mato Grosso, ambos campeões de produtividade no Brasil.