Como avaliar um praguicida

Orientações sobre como utilizar o conhecimento científico para identificar praguicidas que podem causar câncer, toxicidade sobre a reprodução, sobre o desenvolvimento intrauterino, ou desregulação endócrina em seres humanos.

 
Este trabalho complementa o Documento Guia apresentado pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF) à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em agosto de 2012, por ocasião da publicação da CP 02/2011, em substituição a Portaria 03 de 16 de janeiro de 1992. O documento foi elaborado em consonância com as discussões técnicas que ocorreram em Brasília durante o encontro de setembro e outubro do mesmo ano, entre especialistas nacionais, internacionais, representantes do setor regulado e da equipe técnica da Gerência Geral de Toxicologia (GGTOX/ANVISA). Os textos foram elaborados por especialistas e tem como objetivo fornecer informações e ferramentas para definição dos denominados níveis de preocupação (LoC – Level of Concern) toxicológica, avaliando efeitos cancerígenos, toxicidade reprodutiva e para o desenvolvimento e desregulação endócrina, que são observados em ensaios laboratoriais.
 
A avaliação do Risco baseia-se em um processo transparente que suporta o regulador na tomada de decisão frente aos riscos e incertezas estabelecidos. Ao nível das agências reguladoras uma abordagem baseada no risco contribui para a eficiência regulatória, visando ao regulador melhor alocar os recursos, por exemplo, onde o uso é seguro.
 
A identificação e caracterização do perigo, definidas aqui como etapa de avaliação do perigo, são elementos iniciais no processo de avaliação do risco para fins de regulação e posterior tomada de decisão. Nessa etapa é primordial que os níveis de preocupação sejam estabelecidos com base nas informações disponíveis acerca da ação de determinada substância no organismo.
 
A atribuição de níveis de preocupação a determinado produto deve considerar o peso da evidência (WoE) dos resultados obtidos em estudos toxicológicos e a avaliação do conjunto das informações disponíveis sobre o modo de ação (MoA) pelo qual um determinado praguicida provoca efeitos de interesse toxicológico. Deve ainda ser levado em consideração a relevância para o homem do MoA proposto, incluindo aspectos como a plausibilidade biológica e a probabilidade de ocorrência dos efeitos nas condições recomendadas de manuseio e uso dos praguicidas.
 
O objetivo geral de verificação do LoC é determinar o nível de preocupação toxicológica para o homem, que deve ser considerado no processo de avaliação do risco dos praguicidas. A sistematização deste processo assegura uma melhor avaliação da consistência das informações disponíveis e o correto julgamento científico. Como ferramenta para implementação desta abordagem é proposto o seguinte fluxograma:
 
 
O uso deste fluxograma permite assumir diferentes níveis de preocupação, dependendo das informações disponíveis, dos efeitos observados nos estudos, do mecanismo de ação da substância e de seu uso. As informações apresentadas neste Guia complementar ilustram como os diferentes LoCs podem ser identificados de modo claro, utilizando critérios científicos bem estabelecidos, e como isso pode ser usado para subsidiar a estimativa do risco para o homem, nas condições propostas de uso de determinado praguicida.
 
Quando um nível de preocupação é identificado para cada efeito adverso de um produto, a natureza deste efeito e a extensão da exposição humana devem orientar uma ação de regulamentação. Nesta linha, os resultados dos estudos sobre carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva, toxicidade para o desenvolvimento intrauterino ou de desregulação endócrina podem levar a nenhum nível de preocupação, a um baixo nível de preocupação ou ainda a um elevado nível de preocupação.
 
Independentemente do nível de preocupação para os efeitos observados, a Avaliação do Risco para saúde humana pode ser aplicada para orientar o uso seguro do praguicida. A mesma pode ser diferentemente desenvolvida, sendo que maior ou menor refinamento deve ser empregado ao processo dependendo do nível de preocupação estabelecido, da seguinte maneira:
 
• Nenhum nível de preocupação – nesse caso, a avaliação de risco é realizada utilizando outros endpoints de toxicidade, diferentes de carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva, toxicidade para o desenvolvimento ou desregulação endócrina.
• Baixo nível de preocupação - a avaliação clássica do risco pode ser realizada utilizando o endpoint de toxicidade mais apropriado e aplicando o fator de incerteza conservador de 100X (10x para populações humanas sensíveis [variabilidade intra-espécies] e outros 10X para a possibilidade de os seres humanos serem 10 vezes mais sensíveis do que as espécies testadas mais sensíveis [variabilidade inter-espécies])
• Elevado nível de preocupação - nesse caso, para assegurar a completa proteção da saúde humana, deve ser adotado o refinamento das informações toxicológicas, associando dados de exposição, da toxicocinética, e ou usar metodologias mais sofisticadas para a avaliação do risco, ou fatores adicionais de incerteza, maiores que o convencional de 100x.
 
Existe uma série de abordagens para garantir a proteção da saúde humana que podem ser aplicadas mesmo a compostos químicos que provocam elevado nível de preocupação.
 
Este processo, denominado de “gerenciamento do risco” deve ser empregado nestes casos, levando-se sempre em consideração a plausibilidade das ferramentas propostas. Nesse contexto, a análise risco/benefício deve ser aplicada à fase final do processo de tomada de decisão para regulamentação.
 
Em resumo, esse documento guia descreve um processo (de acordo com o conhecimento científico atual) que pode ser usado para atribuir diferentes níveis de preocupação para os efeitos observados no dossiê toxicológico de um determinado praguicida. Estabelece ainda as linhas gerais para a tomada de decisão regulatória, de forma transparente e suportada cientificamente.
 

Para acessar o Documento Guia na íntegra, clique aqui.

Revolução Verde

O cientista americano Norman Borlaug fundou as bases da agricultura moderna, chamada Revolução Verde. Com a aplicação da ciência e inovação, Borlaug multiplicou a produção de alimentos magnificamente, e hoje é considerado o homem que mais salvou vidas na história da humanidade, razão pela qual ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1970. O que alguns não sabem é que Borlaug, morto em 2009, admirava profundamente a Revolução Verde feita no Brasil nos últimos 40 anos.

Estimativas da FAO indicam que será preciso aumentar a produção mundial de grãos em 60% para alimentar toda a população do planeta em 2050. E se queremos vencer este desafio, precisamos entender melhor a nossa própria história e conhecer os nossos heróis. Nas escolas brasileiras, aprendemos sobre a história de diversos personagens estrangeiros, mas não nos ensinam quem foram os brasileiros que ajudaram o País a revolucionar sua produção de alimentos e se tornar uma referência global em produzir e preservar.

 

Desde de 2013, o Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos passou a homenagear os heróis da Revolução Verde brasileira. São produtores, cientistas, pesquisadores, homens e mulheres que semeiam um Brasil capaz de alimentar a si mesmo e a boa parte do planeta, com muito estudo, ciência e inovação.

 

Conheça os dez heróis da Revolução Verde brasileira homenageados em 2015: www.revolucaoverde.org

ANDEF Educação - Balanço de Atividades 2011

Por ANDEFedu em 08/10/2012 às 15:16

Um ano espetacular para a ANDEF e para a agricultura brasileira, em que celebramos recordes muito importantes no apoio ao produtor rural e no desenvolvimento da agricultura brasileira de um modo geral.

Estamos muito felizes com os resultados alcançados. Esperamos que os leitores deste balanço de atividades concordem conosco e nos apoiem para realizarmos ainda mais no próximo ano.

Clique aqui para fazer o download

Ciência alimentando o Brasil e o mundo

Proteger a agricultura brasileira e ajudar a construir um planeta sustentável: esta é a missão da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), entidade que representa as indústrias que atuam em pesquisa e desenvolvimento de defensivos agrícolas no país. São empresas que investem fortemente em ciência e inovação e que contribuem para o constante desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

Os defensivos agrícolas são parte importante de um pacote tecnológico que ajudou a transformar a agricultura brasileira nas últimas décadas. Graças à tecnologia aplicada em nossas lavouras, conseguimos ampliar a produção de alimentos sem expandir a área plantada. Para os próximos anos, o desafio é produzir ainda mais, com tecnologia e sustentabilidade, para alimentar um planeta com 9 bilhões de habitantes.
 
Nos últimos 40 anos, o Brasil passou de importador a grande produtor mundial de alimentos. Neste mesmo período, as empresas associadas à Andef desenvolveram inúmeros produtos fundamentais para o crescimento do agronegócio brasileiro. E nesses mesmos laboratórios, neste momento, estão sendo pesquisadas as novas tecnologias que, ao proteger as lavouras do ataque de pragas, doenças e ervas daninhas, farão com que o Brasil aumente ainda mais a sua produção nos próximos anos.
 
É importante lembrar que os defensivos agrícolas registrados no Brasil são totalmente seguros - tanto para o agricultor quanto para o consumidor final. Essa garantia é dada pelo Governo Federal, através dos Ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente, por meio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), e da Saúde, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que avaliam longamente um novo produto antes de liberar a sua comercialização.

Quais têm sido as ações desenvolvidas pela ANDEF e suas associadas?

As diversas ações de educação e treinamento têm foco no uso correto e seguro de defensivos agrícolas e na conscientização socioambiental do homem do campo. Eis uma síntese de alguns dos programas liderados pela ANDEF que envolveram, nos últimos 20 anos, milhares de produtores rurais:

Curso SIMPAS: Sistema Integrado de Manejo da Produção Sustentável, destinado a engenheiros e universitários de Ciências Agrárias

Curso Deftara: Defesa Fitossanitária, Tecnologia de Aplicação e Receita Agronômica

• Curso ABEAS de Proteção de Plantas

• Encontros com Professores Universitários

• Prêmio ANDEF de Manejo Integrado

• Mulheres em Ação, dirigido a mulheres que trabalham na área rural

• Livros e publicações técnicas sobre os temas fitossanidade, uso correto e seguro de produtos e responsabilidade socioambiental

Congressos e Seminários: a ANDEF tem participado ativamente de eventos técnico-científicos nas áreas de Entomologia, Fitopatologia e Extensão Rural (ConbATER)

• Prêmio Mérito Fitossanitário